FORAM 16 ANOS DE COMPANHEIRISMO.
HOJE, PARA SUAVIZAR A SAUDADE, CRIEI
ESTE BLOG EM HOMENAGEM A ELE, O MEU
HOJE, PARA SUAVIZAR A SAUDADE, CRIEI
ESTE BLOG EM HOMENAGEM A ELE, O MEU
PITOKO
Naquela manhã, eu chegava no meu local de trabalho, quando alguém me perguntou se eu queria adotar um cachorrinho.
Fui até a garagem onde havia uma caixa de papelão cheia de filhotes que foram abandonados pela família que criava a cachorra da raça pastor alemão que os gerou.
Observei que, entre todos, um era o mais espertinho e queria a todo custo pular para fora da caixa.
Na realidade, eram todos vira-latinhas, pois a mãe fora abordada por um bando de cachorros de rua que invadiram o lindo jardim da mansão. Por essa razão os filhotes não foram aceitos pelos donos da casa, pois não tinham o tal do "pedigree".
Mas voltando ao mais espertinho, que ao colocarem um prato de leite dentro da caixa ele entrou com tudo dentro da vazilha e se alimentou com as patinhas mergulhadas no leite, eu não tive dúvida de que aquele seria meu escolhido.
No final do dia ele e eu chegamos em casa. Para que o taxista aceitasse nos levar foi preciso forrar o banco traseiro com jornal e eu ajeitar o bichinho em uma caixinha limpa que encontrei no almoxarifado da empresa.
Minha mãe já nos aguardava ansiosa no portão do prédio. Eu ainda pagava o taxista e ela já havia levado o cãozinho para dentro para limpá-lo com algodão umedecido com água morninha.
Logo ele adormeceu tranquilo. Parecia saber que estava bem abrigado e, para sempre, muito amado.
Pitoko sorrindo para a foto.
No início, ele era tão pequenino que eu às vezes o colocava dentro de uma gavetinha para me divertir.
Começou a crescer, foi se fortalecendo e, ele e minha mãe se tornaram inseparáveis.
Eu tinha pouco tempo para me dedicar a ele, pois continuava a trabalhar fora de casa. Mas nos momentos de descanso, Pitoko (assim nós o chamávamos) e eu brincávamos de esconde/esconde. Era muito engraçado vê-lo se escondendo embaixo da cama, mas deixando o rabinho para fora.
Inteligência no bichinho era privilegiada. Certa madrugada, ele pulou sobre mim e me acordou aflito. Ao despertar, ouvi um gemido. Era minha mãe sofrendo um infarto. Assim, pude socorrê-la a tempo levando-a ao hospital, graças à iniciativa de Pitoko.
Após 10 anos de feliz convivência entre Pitoko e minha mãe, ela se foi. A tristeza tomou conta do cachorrinho e eu. Ambos nos consolávamos mutuamente e fomos nos apegando um ao outro como dois seres que se amam incondicionalmente.
Muitas vezes, ao perceber que eu chorava, ele se aproximava e lambia minhas lágrimas como que dizendo: "Não chore... eu estou ao seu lado".
E quando era ele quem ficava triste deitado na porta do quarto que pertenceu à minha mãe, como que ainda esperando por ela, era eu que o acariciava e dizia: "Não chore... eu estou ao seu lado".
Minha mãe e Pitoko - A última foto dela
Assim se passaram 6 anos. Todos os dias nós dois passeávamos na pracinha e nos tornamos uma dupla muito conhecida no bairro do Sumarezinho. Muitos amigos, muito bate-papo, muitas trocas de informações sobre animais de estimação.
Durante as horas em que eu permanecia em frente ao computador realizando meus trabalhos, ele ficava deitadinho ao meu lado. Muitas vezes eu olhava para ele e ele para mim. Eu dizia: "Sim, estamos juntos". Com um olhar afirmativo ele me transmitia: "Estamos unidos pelo carinho".
Meu amiguinho e eu
Mas o tempo foi passando e a velhice chegou para Pitoko. Bravamente ele lutou pela vida, pois não queria me deixar sozinha. Sofria dores horríveis devido a um tumor no fígado, mas resistia além de suas forças naturais. Era mesmo o amor por mim que o mantinha vivo.
Havia momentos em que eu acreditava que ele não fosse resistir. Cheguei a passar noites ao seu lado dando-lhe conforto e amor. Mas ele sempre reagia. Após as crises ele me encarava dizendo: "Ainda não posso lhe deixar sozinha".
Pitoko velhinho. Olhar menos cheio de vida. Mesmo assim de temperamento forte e cheio de amor para oferecer a mim e aos amigos.
Um de seus últimos passeios da pracinha onde, todas as manhãs, eu o levava
Até que em uma madrugada ele chorava de dor eu me aproximei dele, o acariciei e disse: "Amigo, você já sofreu demais. Sou grata por tudo, pelo seu amor, pela sua companhia e pela sua lealdade. Mas eu preciso libertá-lo. Seu sofrimento está insuportável para você e para mim que o amo tanto".
Assim, Pitoko me olhou com um olhar submisso como que aceitando minha decisão. No fundo, pelo instinto, ele sabia que nada mais restava a fazer para que o sofrimento fosse aliviado. Foram muitos remedinhos, muitos exames e vãs esperanças. Com a idade avançada já não era possível tentar uma cirurgia, pois seu coraçãozinho cansado não resistiria. E com isso o mal foi se espalhando pelos seus órgãos e a cada dia as crises se intensificavam.
Expliquei a ele que eu jamais o mandaria embora, mas por amor era meu dever libertá-lo. E que se ele quisesse, permaneceria ao meu lado em espírito, pois uma vida criada por Deus jamais se extingue.
No dia marcado para a eutanásia ele despertou sereno. Caminhou pela casa e seguiu os meus passos como que certo de que era o momento da despedida. Como que para me conformar, eu dizia a ele: "Não se esqueça do nosso trato. Assim que se libertar você volta para ficar em minha companhia. Somos inseparáveis... para sempre, inseparáveis".
Quando o veterinário chegou para levá-lo, ele seguiu seguro e, dignamente, caminhou como que indo de encontro a merecida liberdade.
Eu o vi partindo me deixando vazia e sem rumo, pois ele para mim foi um companheiro que durante 16 anos só me deu amor, amor e amor. A dor que eu sentia não há como descrever. Foi um "adeus" tão triste que se eu pudesse apagar aquele momento da minha história, com certeza eu já o teria feito.
Foi difícil aprender a despertar sozinha sem que ele me cutucasse o braço com a patinha. Foi doloroso começar as manhãs sem nosso rotineiro passeio. Enfim, foi difícil viver a vida sem a sua companhia.
Por alguns dias eu ainda encontrava um pelinho dele no tapete, um brinquedinho debaixo de algum cômodo e aquele cheirinho de anjinho de 4 patas. O mais triste foi descobrir marcas de sua patinha no corredor e ter que limpá-las como que apagando o pouco da presença dele que ainda havia ficado.
Hoje, procuro prosseguir, mas sem ele é bem mais difícil continuar. Pitoko foi mais do que meu cachorro de estimação. Ele se tornou um pedaço de minha própria alma. Por isso, o exemplo da força e da coragem que ele sempre me transmitiu faz com que eu erga a cabeça e olhe para frente, ainda que, muitas vezes, com os olhos marejados.
Sei que ele continua comigo, pois uma amizade como a nossa é eterna. Porém, é penoso não poder abraçá-lo e sentir seu carinho lambendo minhas mãos.
Ai, meu amiguinho. Quanta saudade!!! O que mais posso dizer?
QUE FALTA SINTO DO SEU OLHAR CARINHOSO...
DO SEU JEITO PURO DE SER...
DE VOCÊ FAZENDO POSE PARA A CÂMERA
DE VOCÊ ME ESCONDENDO OS BRINQUEDINHOS...
DOS NOSSOS PASSEIOS NA PRACINHA...
DE VOCÊ SUBINDO AS ESCADAS DA PRACINHA...
DE VOCÊ FAREJANDO OS ARBUSTOS...
DE VOCÊ OLHANDO PARA TRÁS PARA VER SE EU ESTAVA
COM VOCÊ....
DE VOCÊ OUVINDO MEU CHAMADO PARA NÃO ATRAVESSAR A RUA...
SAUDADE... SAUDADE... SAUDADE











